MANIFESTOS
Manifesto Pau-Brasil
Escrito em 1924, por Oswald de Andrade, o Manifesto Pau- Brasil buscava, principalmente, criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro. Oswald buscava a poesia ingênua. Ingênua no sentido de não contaminada por modelos de arte já preestabelecidos.
O nome “Pau-Brasil” foi escolhido por ligação à árvore pau-brasil, que no período colonial era altamente exportada para ser utilizada como corante. Foi por essa reflexão que Oswald de Andrade nomeou seu manifesto, para que fosse um produto do Brasil, poderia ser influenciado pelas vanguardas européias, mas deveria ter características brasileiras.
Logo no início do manifesto percebemos um tom irônico. Lendo atentamente, percebemos o ataque feroz à gramática portuguesa, a escrita brasileira da época. Percebemos a defesa da língua brasileira falada, “a língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” (Andrade, 1924).
Manifesto Antropófago
O Manifesto Antropófago foi escrito por Oswald de Andrade e publicado em 1928, na primeira edição da Revista Antropofagia. O manifesto pretendia repensar a dependência cultural do Brasil de forma humorística.
São inúmeras as influências teóricas identificadas no Manifesto: o pensamento revolucionário de Karl Marx, a descoberta do inconsciente pela psicanálise e o estudo do Totem e Tabu, de Sigmund Freud, a liberação do elemento primitivo no homem proposta por alguns escritores da corrente surrealista como André Breton, as questões em torno do selvagem discutidas pelos filósofos Jean-Jacques Rousseau e Michel de Montaigne e a idéia de barbárie técnica de Hermann Keyserling.
Criticava intensamente a herança portuguesa, a cultura clássica européia e o Padre Antônio Vieira. “Antes de os portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade” (Andrade, 1928).
Há varias idéias explicitas neste manifesto, mas a mais vigente é o canibalismo. Oswald retrata a antropofagia, que seria o canibalismo simbólico na sociedade. O canibal nunca come alguém para se alimentar, ele o come para incluir em si as qualidades do inimigo, ou seja, a antropofagia seria uma forma de veneração ao inimigo, onde o comemos para incluir em nos suas qualidades e assim nos tornarmos mais fortes. Utilizando essa teoria, Oswald retrata que a cultura brasileira é mais forte que a européia, pois descobrimos as qualidades dos europeus e os comemos, fomos canibais devoradores da cultura estrangeira e com isso criamos nossa própria cultura. “Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Matias. Comi-o” (Andrade, 1928).